Vivemos hoje uma grave crise
social que até nos lembra o Apocalipse.
O ser humano há muito tempo parece não ser o mesmo e as pessoas estão perdendo a orientação. É
cada vez mais difícil saber o que é certo ou errado e diferenciar entre tantos
direitos e deveres o que deve ou o que pode ser feito neste ou naquele momento.
Cidadãos que outrora estavam amplamente amparados pelo código de direitos, hoje
se encontram à mercê dos advogados zombeteiros numa sociedade em transparente declínio. Os
valores estão, dessa forma, ofuscados pelo brilho que os desvalores ganham sempre com maior intensidade.
Todavia, os cidadãos e
cidadãs brasileiros, movidos pelo vicioso individualismo, têm contribuído para
esse negro cenário que se reflete na crise do agir político. Ou seja; na
desvinculação entre política e liberdade, enfraquecendo, assim, a ação
participativa cidadã e a constituição de esferas públicas. Este PODER DE AGIR
não pode ser transferido ou usurpado e se baseia no direito de associação,
requerendo a comunicação entre as pessoas no espaço público e, portanto, o
direito à informação.
Quando homens e
mulheres movidos por interesses
particulares deixam de lutar pelos direitos coletivos, essa inação faz com que
a esfera pública corra o risco de se dissociar da ação cidadã. Daí fica
evidente toda a fragilidade do viver em conjunto. Isso, mesmo em um Estado dito
democrático, mas, que por sinal, só representa a prática democrática, ou a
tolera, se tudo girar em torno do consenso unicista. Qualquer dissenso é visto
como sinônimo de desordem. De desarmonia e de grave crise democrática.
Como falar, porém, em
democracia, quando o autoritarismo facista das forças policiais triunfa sob a
ordem civil impondo dor e humilhação para todos aqueles que estão
desamparados politicamente perante a
arbitrariedade do poder estabelecido em conluio com os detentores dos meios de
produção?
Como crer em um Estado
democrático onde as decisões e ações de representantes civis eleitos (
vereadores, deputados, prefeitos, presidentes) revelam o sórdido abuso autoritário
sobre a coisa pública em benefício de objetivos privados?
Como crer na cidadania
diante do costumeiro desrespeito aos nossos direitos, cometidos por uma classe
politiqueira que supostamente representa o bem comum?
É dito, que antes de mudar
as coisas é preciso que se mude interiormente. Mas, quem reconhece a
necessidade de mudança social já se modificou em seu íntimo, pois, a
constatação da contradição da realidade exerce no sujeito, imbuído do senso
crítico, a aspiração por reforma social.
Por que será que esta
sociedade que é a nossa se aninhou na falta de ética? Passamos o tempo todo
criticando a falta de ética na sociedade brasileira, mas quase sempre
praticamos algo que fere esse princípio: O atraso na escola, o cargo que nos
privilegia, mas que prejudica a
comunidade escolar, a falta de compromisso, a omissão e, sobretudo, a falta de
luta nos sindicatos e em comissões fiscalizadoras do dinheiro público.
Acontece que hoje há um
sentimento onde aquele que é ético é
tido como otário. Ninguém quer ser otário, ou ser a chacota da sociedade!
Todos, com cada vez mais raras exceções, querem, sim, serem capazes e espertos! Por isso, falhamos! E falimos
também! Mas, diante do descaso e da
ameaça aos nossos justos direitos,
sentimos que a nossa dignidade ainda está na ética. Por isso a reivindicamos!
Sabemos que muitos
brasileiros já perderam suas esperanças
a ponto de atribuir a um anônimo “ELES” todas as decisões políticas que no
Brasil coíbem ou que ferem a nossa liberdade: FECHARAM ESSA RUA,AUMENTARAM O
IMPOSTO! ROUBAM NOSSO DINHEIRO! Esse sujeito indeterminado é o governo!
Qualquer governo! Nada temos a ver com “eles”. Só que foram eleitos por nós.
Afinal somos ou não responsáveis por quem elegemos? Lembramos aqui que estamos
lutando pela ética, uma ética meio desesperada, mas é o que temos para hoje!
Conseguiremos sair deste pântano? Eis a questão!
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